Orlando Julius & The Heliocentrics

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo confirma os primeiros agrupamentos que irão atuar na sua próxima edição: Dele Sosimi Afrobeat Orchestra, Ibibio Sound Machine, Orlando Julius & The Heliocentrics, Songhoy Blues, Toumani & Sidiki Diabaté e Vaudou Game.

A confirmação destes seis agrupamentos constitui o lançamento da 17.ª edição do festival, que entre 17 e 25 de julho, em Sines e Porto Covo, voltará a cruzar gentes, tempos e lugares para proporcionar ao público a experiência de música ao vivo mais genuinamente global que acontece no nosso país.

Num festival em que todos os artistas partem em pé de igualdade, independentemente da sua origem geográfica, género musical ou posição no mercado, a edição de 2015 procurará traçar um retrato das músicas populares que se fazem no mundo hoje, em que as tradições buscam a contemporaneidade e as migrações de ideias e pessoas dissolvem as fronteiras criativas.

Nos grupos que agora se confirma, sobressai o estatuto de Londres como um dos mais importantes centros de renovação da música com raízes africanas e a reafirmação da capacidade que o Mali demonstra de, ano após ano, introduzir novidades num dos mais ricos patrimónios musicais do mundo.

Quatro dos agrupamentos confirmados – Ibibio Sound Machine, Orlando Julius & The Heliocentrics, Songhoy Blues e Vaudou Game – são estreias em Portugal.

AS CONFIRMAÇÕES

DELE SOSIMI AFROBEAT ORCHESTRA
Dele Sosimi, cantor, teclista e produtor, é um dos músicos de afrobeat mais ativos e criativos da atualidade. Começou a carreira como diretor musical de duas formações lendárias: os Egypt 80 de Fela Anikulapo Kuti e os Positive Force do seu filho Femi. Vive em Londres, onde a par da carreira como músico desenvolve trabalho como educador através da sua fundação. Gravou dois álbuns de estúdio em seu nome, “Turbulent Times” e “Identity”, e tem o lançamento do terceiro marcado para abril de 2015, na editora Nostalgia 77. Apresenta-se em Sines com a sua formação mais exuberante, uma orquestra de 15 elementos com a qual produz uma mistura de funk, jazz, percussão africana e canto rítmico.

IBIBIO SOUND MACHINE
Liderado pela cantora anglo-nigeriana Eno Williams, Ibidio Sound Machine é um coletivo de fusão com referências na cultura africana e na eletrónica dos anos 70 e 80. Combina num som de dança contemporâneo elementos de highlife, disco, electro soul, gospel e outros estilos musicais trazidos pelos oito músicos que constituem o grupo, juntos em Londres, mas com origens tão diversas quanto o Gana, o Brasil, a França, Trinidad ou Austrália. As letras das canções são cantadas na língua do povo Ibibio, do sudeste da Nigéria, e recuperam histórias tradicionais contadas a Eno Williams pela mãe e pela avó. O disco de estreia, homónimo, foi lançado em 2014 pela Soundway, editora que se tem vindo a dedicar a trazer para os nossos dias sons vintage de África e das Américas.

ORLANDO JULIUS & THE HELIOCENTRICS
O saxofonista, cantor e compositor Orlando Julius Ekemode, pioneiro dos cruzamentos da música africana com a música afroamericana, está de volta aos palcos internacionais com a banda londrina de acid jazz The Heliocentrics, especializada em trazer ao público contemporâneo grandes lendas da música africana. Com uma carreira iniciada nos anos 60, na Nigéria, e um longo período passado nos EUA, Orlando Julius criou um estilo de música onde se misturam o highlife, o jazz, o R&B, o funk e o rock psicadélico. O seu disco “Super Afro Soul”, de 1966, é considerado uma influência no próprio movimento funk norte-americano. Com The Heliocentrics gravou “Jaiyede Afro” (Strut), rearranjos de clássicos e novas composições, que vem mostrar ao vivo em Sines.

SONGHOY BLUES
Songhoy Blues é a revelação mais recente de blues do Mali, uma banda de jovens músicos com raízes no norte do país. Inspiram-se na cultura da etnia Songhoy, que vive nas margens do rio Níger, entre as cidades de Timbuktu e Gao, e foram formados em reação ao conflito que se viveu na região em 2012 e 2013. Nessa altura, tocavam sobretudo para exilados do norte a viver em Bamako, até serem descobertos pelo produtor Marc-Antoine Moreau, quando procurava músicos para o projeto Africa Express de Damon Albarn. A sua música é uma fusão contemporânea de tambaka de Gao, guitarra tuaregue, trance Songhoy e melodias tradicionais do deserto. Estreiam-se em disco com o álbum “Music in Exile” (Trangressive), a lançar em fevereiro.

TOUMANI & SIDIKI DIABATÉ
O maliano Toumani Diabaté, um dos músicos mais conceituados do mundo, convida o seu filho mais velho, Sidiki, para um projeto de duetos de kora, instrumento de 21 cordas, ícone da música da África Ocidental. Descendentes de uma dinastia de griots com 700 anos, Toumani e Sidiki são músicos modernos apostados na transmissão de repertório ancestral de um modo contemporâneo – Toumani, com a bagagem de colaborações com músicos como Ali Farka Touré, Taj Mahal ou Damon Albarn; Sidiki, com a rebeldia urbana de músico de hip hop que também é, um dos mais populares de Bamako. O álbum que os traz a Sines, “Toumani & Sidiki” (World Circuit), é constituído por rearranjos de peças para kora quase esquecidas e novas abordagens a clássicos dos povos Mandé.

VAUDOU GAME
Vaudou Game é o grupo de afro-funk do cantor e compositor togolês Peter Solo, baseado em Lyon, mas com raízes na tribo Guin de Aného-Glidji, um dos maiores centros da cultura vudu, tradição espiritual que se caracteriza pelo respeito por todas as formas de vida e pelo meio ambiente. As canções do grupo são transposições para instrumentos harmónicos modernos das escalas contidas nos cânticos que estão no centro das práticas vudu do Togo e do Benim. A primeira dessas escalas leva a música de Peter Solo na direção do funk dos 70; a segunda mantém a ligação a atmosferas sagradas. Este concerto em Sines é baseado no repertório do disco “APiAFO” (Hot Casa Records), lançado em 2014.