Rui Vinagre: “Tocar no Castelo de Sines é um pequeno grande sonho que vai ser concretizado”

29/05/2009

Rui Vinagre

Rui Vinagre

No dia 22 de Julho, às 21h00, o músico Rui Vinagre, integrado no projecto TRILHOS – Novos Caminhos da Guitarra Portuguesa, abre a programação de concertos no Castelo. Natural de Sines, este jovem compositor e intérprete explica como nasceu o seu interesse pela guitarra portuguesa e a ideia de envolvê-la num quarteto onde a tradição portuguesa do instrumento se abre a cruzamentos com o jazz e outras invenções musicais.

FMM Sines – Em que circunstâncias (e com que referências) surgiu o seu interesse pela guitarra portuguesa?

Rui Vinagre – Foi em 1995, quando fui de Sines para Coimbra estudar Engenharia, que surgiu o meu interesse pela guitarra portuguesa, após ouvir e experimentar a sonoridade deste instrumento. As variações mais sonantes em Coimbra foram e são, sem dúvida, as da família Paredes, e foi através dessas músicas que iniciei o meu percurso guitarrístico, embora hoje em dia tenha outras referências em termos de guitarra portuguesa, como é o caso do meu amigo Pedro Caldeira Cabral.

Como se juntaram os quatro elementos do projecto TRILHOS? Qual era o seu percurso até aí?

Os TRILHOS – “novos caminhos da guitarra portuguesa” resultam de uma evolução natural do meu trabalho individual e de uma necessidade de juntar a guitarra portuguesa a outros instrumentos que não a tradicional guitarra de acompanhamento, também designada a “viola do fado”. A pouco e pouco, os primeiros temas da minha autoria despertaram interesse noutros músicos, que naturalmente foram partilhando das mesmas ideias musicais e trabalhando-as em conjunto comigo, sugerindo também daí novos temas.

A guitarra tem uma riqueza tímbrica e harmónica tão grande que muitos julgarão que não precisa de companhia. O que é que ela dá e o que é ela recebe no jogo instrumental do TRILHOS?

Concordo que a guitarra portuguesa é um instrumento muito rico em variadíssimos aspectos, quer sonoros, quer estéticos, e quanto a mim merece e merecerá sempre um destaque, por vezes não muito evidente na música portuguesa. Ela sobrevive sozinha ou acompanhada, embora acompanhada possa ser levada para muitos outros caminhos. O jogo instrumental dos TRILHOS é propício a um grande convívio entre instrumentistas e instrumentos, resultando num cruzamento de timbres e sonoridades associadas a uma harmonia comum, característica dos temas que tocamos. É uma partilha infindável de experiências e de boa disposição! É isto que caracteriza os TRILHOS.

O projecto TRILHOS já é a parte mais importante da vossa vida profissional? Até onde querem chegar?

Todos os músicos dos TRILHOS têm outros projectos, embora seja este aquele em que mais acreditamos. Nos TRILHOS colocamos em prática, sem restrições, todos os conhecimentos que vamos adquirindo, o que nos faz também evoluir musicalmente e de uma forma muito natural, sem imposições, nem restrições. A direcção musical é partilhada entre os quatro elementos, havendo por isso lugar a uma criação colectiva, seguindo uma linha de parâmetros característica do grupo.

Onde queremos chegar? Queremos chegar onde a nossa criatividade nos levar. Queremos chegar ao maior número de pessoas, queremos chegar a um nível de conhecimento e reconhecimento que nos permita continuar a criar e a divulgar incansavelmente a guitarra portuguesa de uma forma que consideramos única.

Vai abrir a programação musical no Castelo, que é tradicionalmente um dos momentos altos do festival. Que significado tem para si fazê-lo neste palco e fazê-lo na sua cidade?

Tocar com os TRILHOS no Castelo de Sines é um pequeno grande sonho que vai ser concretizado. Reveste-se de um carácter muito especial para mim e para o grupo, por ser no local que é a minha cidade, no dia de abertura do FMM em Sines e no palco com mais tradição do festival. Será com certeza um dos momentos únicos do percurso dos TRILHOS e também do FMM. A boa energia que a nossa música transmite, através da entrega da alma e paixão que transpiramos em palco, irá certamente contagiar todo o público do Castelo e permanecer na memória de todos os presentes.

Do programa do FMM 2009 que outros espectáculos esperas ficar para ver?

Nem sempre conheço os grupos que fazem parte do cartaz, nem me preocupo muito com esse pormenor. Sei que se estiver presente nos espectáculos, para além da boa música que o festival nos habituou, tenho também a possibilidade de rever caras e pessoas que conheço de todo o país e, obviamente, as pessoas de Sines.

No entanto, com a possibilidade que hoje em dia existe através da Internet, podemos ouvir um pouco de todos os trabalhos.

Vou destacar, por ordem cronológica e em primeira análise, cinco projectos que, pela sua sonoridade merecem uma especial atenção, ciente de que muitos outros mereceriam igual relevância: Dele Sosimi Afrobeat Orchestra (Nigéria / Reino Unido), Orquesta Típica Fernández Fierro (Argentina), Portico Quartet (Reino Unido), Hanggai feat. Mamer (China) e Chucho Valdés Big Band (Cuba). Mas também não vou perder Ramiro Musotto & Orchestra Sudaka (Argentina / Brasil) e Speed Caravan (França / Argélia).