Dele Sosimi: “Recuso deixar-me limitar pelo legado de Fela”

15/06/2009

Dele Sosimi

Dele Sosimi

Teclista da banda Egypt 80, de Fela Kuti, e da Positive Force, de Femi Kuti, Dele Sosimi é hoje, como ele próprio diz, o “segredo mais bem escondido do Afrobeat”. No dia 18 de Julho, está em Porto Covo com as mãos no leme da sua poderosa Afrobeat Orchestra.

FMM Sines – Quais foram as maiores lições que aprendeu com Fela Kuti durante a sua experiência nos Egypt 80?

Dele Sosimi – A ter uma mente aberta; a ler, pesquisar e desenvolver-me para que nunca me apresente, à minha música e de qualquer outra forma numa posição de ignorância; a praticar a minha arte com empenho, concentração e dedicação, e, faça chuva, faça sol ou prisão… “the show must go on”.

Quais são os elementos que definem o Afrobeat pessoal de Dele Sosimi? O que torna a sua visão única?

Procuro expandir as fronteiras da música. Penso que é importante para qualquer género de música desenvolver-se e reinventar-se. Foi assim que o Afrobeat se formou, “roubando” do funk, do highlife e de outros estilos de música nativos da Nigéria. Tento continuar nesse caminho, ao mesmo tempo que me mantenho leal aos fundamentos, como é evidente no meu novo CD, “Identity”. Recuso deixar-me limitar pelo legado do fundador. Comigo, o Afrobeat renasce através de uma paleta harmónica mais ampla e aborda a política através de metáforas e comparações. A minha música é também fortalecida pelo núcleo de músicos virtuosos com quem tenho trabalhado nos últimos 10 anos.

O Afrobeat não pára de inspirar projectos novos, como Antibalas e Nomo, muitas vezes formados por músicos sem qualquer ligação a África. Qual é a sua opinião sobre eles?

Penso que é uma evolução incrível, como já referi. Projectos como esses servem para tornar o género mais rico e acessível a mais pessoas. O paradoxo infeliz é que parece haver maior desenvolvimento do Afrobeat fora do que dentro da Nigéria. O que é bom e é mau.

Você é um músico e um professor. O que faz um bom estudante de Afrobeat?

Este género tem, tipicamente, várias associações: políticas, arte, dança e estilo de vida, apenas para nomear algumas. Um grande estudante de Afrobeat é, por conseguinte, alguém que tem uma atitude funky, uma vontade genuína de aprender sobre Afrobeat e todas as suas associações com uma mente aberta, assegurando ao mesmo tempo que retém a sua essência na interpretação, que pode ser musical, literária ou artística.

Vem ao FMM com o seu formato mais poderoso, a Afrobeat Orchestra. O que pode o público de Sines esperar deste espectáculo?

Ser surpreendido para além das suas expectativas e ficar com uma “pedrada” Afrobeat permanente!!!

Que concertos do FMM Sines 2009 recomendaria?

A Dele Sosimi Afrobeat Orchestra, claro, porque é o segredo mais bem escondido do Afrobeat e não pode ser perdida!

Conheço o Chucho Valdés e, pessoalmente, gostaria de não perder o seu concerto. Depois, Lee ‘Scratch’ Perry, James Blood Ulmer e Bibi Tanga também não iria perder! Há muitos outros espectáculos , cuja música ainda não tive a sorte de ouvir, que parecem maravilhosos. Então, recomendaria que o público desse o seu melhor para descobrir o máximo de espectáculos possível!

Não posso esperar por chegar ao festival!

Dele Sosimi – Turbulent Times (excerpt) from Ben's Films on Vimeo.