Wojtek Krzak
A Warsaw Village Band foi a revelação do FMM Sines 2004 e regressa ao festival quase como se fosse um grupo novo: novo alinhamento, nova filosofia musical, nova maturidade do seu núcleo vital. Em entrevista ao site do FMM, Wojtek Krzak (voz e violoncelo) fala sobre a música que o grupo anda a fazer e sobre o que o público pode esperar do seu concerto, que terá lugar no dia 24 de Julho, às 21h30, no Castelo.
FMM Sines - A Warsaw Village Band esteve em Sines pela primeira vez em 2004. Para um espectador que vos viu então e que vos vai ver agora, quais serão as principais diferenças?
Wojtek Krzak - Bem… mudámos o nosso alinhamento quase por completo. Vamos tocar com novos intérpretes de violino e dulcimer (as raparigas deixaram-nos por causa da maternidade), Maja tornou-se a voz principal, mas também temos um novo contrabaixo, que torna o nosso som mais massivo. Em geral, a WVB soa diferente agora. Para mim, tem um som mais atraente, mas sem perdas artísticas, se percebe o que quero dizer…
Para o disco “Infinity”, decidiram que já não bastava retrabalhar material tradicional e começaram a compor nova música do zero. Se não é a tradição, quais são as linhas-guias desta vossa nova produção?
Ainda é inspirada pela tradição, mas, digamos, eu estava apenas a começar a divertir-me. Finalmente, podemos fazer novas composições e não ter medo disso, não precisamos de estar fechados por causa do repertório baseado nas raízes. Antes, a nossa música era como que uma adaptação de velhos sons, com velhas letras, muito ligada ao passado. Agora, consigo colocar na música todos os estilos e géneros de que realmente gosto - blues, funk, soul. Claro, como disse, tem forte inspiração na tradição polaca, mas é apenas inspiração, não determinação.
Música folk, world music… estas etiquetas ainda significam alguma coisa para si?
Para ser honesto, não. Enquanto estava a fazer “Infinity”, dei-me subitamente conta de que já não faz qualquer sentido falarmos de world music ou folk. Tive de passar um ano inteiro com esta música, a tentar compô-la, arranjá-la, e o que posso dizer é que há boa e má música e falar de géneros no geral é um erro. Não existem fronteiras entre blues, jazz, música baseada nas raízes (mesmo da Polónia), reggae, soul, etc., etc. É tudo MÚSICA. Tem de ser BOA música que eu veja que é tocada directamente do coração - emotiva e real. As outras situações são apenas para a imprensa, para a indústria, para os musicólogos.
Teve uma filha há pouco tempo. Está optimista sobre o que a Polónia tem para lhe oferecer no futuro? É uma boa fase na vida do seu país?
É uma questão complicada, e não sei realmente o que responder…
Por um lado, estamos na União Europeia, sem fronteiras, num mundo aberto onde a minha filha pode fazer as suas escolhas. Demos um salto em frente gigante nos últimos 20 anos. Há mudanças e possibilidades fantásticas. De verdade. Mas também vivemos num país onde há imensos problemas - problemas connosco próprios. Uma coisa a que chamamos Inferno Polaco. Pode ver-se, por exemplo, que o nosso presidente e primeiro-ministro vão para reuniões da União Europeia e não conseguem parar de discutir.
Por outro lado, é, absolutamente, o melhor período da história polaca dos últimos 200 anos. Podemos comprar tudo o que queremos, mas neste paraíso esquecemo-nos da cultura. Não da cultura polaca, da cultura em geral. Existe um caudal de trampa e a nossa rádio e TV oficiais não fazem ideia de como resolver este problema. Mais, eles produzem trampa dessa! É realmente um perigo. Os polacos têm de ser inteligentes, mas é um facto que estão com dificuldade em encontrar um rumo. Espero que a minha filha possa criar para ela uma realidade cultural alternativa, mas nem todas as pessoas têm essa hipótese.
Do programa do FMM Sines 2009 que concertos recomenda?
Daara J Family!!! Tocámos juntos na Polónia há alguns anos e amo-os realmente. Também como pessoas. É a melhor compilação de energia, bom gosto, divertimento e bom som que conheço. As suas performances ao vivo são fantásticas!!! Infelizmente não iremos tocar no mesmo dia, por isso, por favor, mandem-lhes os nossos abraços!!!