DJ’s FMM recomendam: 5(+1) escolhas de Luís Rei

15/07/2009

Rupa, que está em Porto Covo, na próxima sexta-feira, é um dos destaques de Luís Rei

Rupa, que está em Porto Covo na próxima sexta-feira, é um dos destaques de Luís Rei

Luís Rei, das Crónicas da Terra, vai estar em Sines e Portugal a animar a Rádio FMM ao Vivo. Grande conhecedor das músicas do mundo, estas são as suas sugestões entre o programa do festival deste ano.

Rupa & The April Fishes

Rupa Marya e a miscigenação musical que exercita com os seus April Fishes, é o reflexo de uma América geradora de um cada vez maior número de artistas americanos (ou, simplesmente, com residência nos Estados Unidos) a olharem para uma míriade de culturas provenientes de todos os continentes.

É neste projecto que se conta a história de vida de uma cantora e compositora residente em São Francisco de sangue indiano que é médica e cujos pacientes “chicanos” a inspiram a escrever canções interventivas que denunciam a política norte-americana de imigração, a «linha da morte» que separa os Estados Unidos do México (à semelhança de Lila Downs) e a dominar melhor o castelhano. Estreia-se no nosso país numa altura em que já gravou o sucessor do belíssimo “Extraordinary Rendition”, que deverá ser editado depois do Verão. Segundo álbum que incluirá um samba cantado em português, que teremos a honra de escutar em Porto Covo.

The Ukrainians

A par dos Pogues, The Men They Couldn’t Hang, Band Of Holy Joy, Oyster Band e Mekons, os Ukrainians são daquelas bandas históricas que permanecerão para sempre nos corações de quem, através deles descobriu, a partir do pop/rock alternativo, o universo da música tradicional europeia. Se “George Best” dos Wedding Present (o projecto de Leeds que encubou os Ukranians) foi um dos vinilos que mais tempo passou no meu prato, no final dos anos 80, o mesmo poderei dizer do debutante 10″ dos Ukranians que inclui as suas Peel Sessions, bem como dos EPs / CdSingles (já na era digital) de versões de temas dos Smiths (“Big Mouth Strikes Again”) e dos Sex Pistols (“Anarchy In The UK”), durante toda a década de 90. Um reencontro emotivo com a história da brit-folk-pop.

Kasaï Allstars / Damily

Será uma viagem às entranhas de África, em estado de transe, aquela que faremos no final da noite de 23 de Julho. No castelo, todo o aparato cénico dos Congoleses Kasaï Allstars que, através de dançarinos com pinturas e artefactos de guerra, um rei sentado no trono a assistir ao que se passa no palco e entre a assistência, enormes instrumentos de percussão, likembés electrificados, guitarras ligadas a amplificadores, devolvem-nos toda a riqueza tribal e multicolorida do continente-berço.

Na Avenida da Praia, a guitarra marota, esguia e atlética de Damily, sempre mais rápida do a que de um tocador de soukous, os ritmos em bruto que influenciaram de forma inconsciente (ou consciente?) as canções mais aceleradas dos norte-americanos Vampire Weekend, completam este demoníaco ciclo hipnótico africano. Haverá energia para tanta dança?

Warsaw Village Band

Apesar de já os ter visto por três vezes em Sines, Lisboa e Funchal, a minha expectativa em em torno deste sexteto polaco é enorme. Porque actualmente são muito mais do que uma resposta da Mazóvia ao electro-folk-rock de bordão de Dalarna dos Hedningarna. Porque a Warsaw Village Band renasceu há dois anos e está agora bem mais madura. Quer a misturar a folk bárbara do norte da Europa com dub, reggae, asian underground, etc, quer a escrever grandes canções influenciadas por todos os cantos desta “aldeia global”, como a enorme “Little Baby Blues” que, em sete minutos, encurta distâncias entre Tuva e o Mississipi.

Speed Caravan

A mistura explosiva de música magrebina com muito rock, beats electrónicos e alaúde electrificado, não traz nada de novo a quem conhece Rachid Taha ou DuOud. Mas, saborear a versão de “Killing an Arab” dos Cure, com algum tempero mediterrânico (o mesmo azeite de Taha) e, sobretudo, ter a honra de ver em cima do palco um baixista francês genial – Pascal Teillet – que mergulha a fundo nas areias do deserto do Sara (estando para o baixo da mesma forma que Justin Adams está para a guitarra) em pleno espectáculo de encerramento do FMM, quase ao amanhecer, perante 10 ou 20 mil almas, constituem motivos mais do que suficientes para este seja um dos momentos mais marcantes desta edição. Sobretudo, para quem ainda tem na memória a loucura instalada à volta dos israelitas Boom Pam em 2008. Não pela banda em si, mas por todo o ambiente que envolveu esse espectáculo.

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