Colaborações intercontinentais em destaque no FMM Sines 2012

A 14.ª edição do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo, a realizar em Sines em julho, é marcada por vários projetos de colaboração entre músicos de continentes diferentes. Entre eles estão as novas confirmações do programa: a estreia dos portugueses Dead Combo ao vivo com o americano Marc Ribot, o projeto Zita Swoon Group, do belga Stef Kamil Carlens com dois griots do Burkina Faso, a parceria entre a orquestra suíça Imperial Tiger Orchestra e a cantora etíope Hamelmal Abaté, a dupla franco-maliana Kouyaté-Neerman e o encontro de duas grandes cidades musicais do mundo, Detroit (EUA) e Lagos (Nigéria), através do baterista Tony Allen.

21 DE JULHO: DEAD COMBO feat. MARC RIBOT (Portugal / EUA)

Dead Combo feat. Marc Ribot

O FMM Sines 2012 recebe o primeiro concerto do duo português Dead Combo com o guitarrista americano Marc Ribot, uma das suas referências estéticas. Formados em 2003, os Dead Combo (Tó Trips e Pedro Gonçalves) são um dos melhores projetos musicais portugueses da última década, com cinco discos amados pelo público e reconhecidos pela crítica em Portugal e fora de portas. “Lisboa Mulata”, o álbum de 2011 centrado na identidade multicultural da capital portuguesa, teve a colaboração de Marc Ribot em algumas das suas faixas, mas essa colaboração foi feita à distância, utilizando as novas tecnologias. Aproveitando a presença do músico americano em Sines, para um concerto no mesmo dia com o seu projeto Los Cubanos Postizos, é possível juntá-los pela primeira vez ao vivo.

Foto de Marc Ribot: Barbara Rigon

21 DE JULHO: IMPERIAL TIGER ORCHESTRA & HAMELMAL ABATÉ (Suíça / Etiópia)

Imperial Tiger Orchestra & Hamelmal AbatéA Imperial Tiger Orchestra é uma orquestra de jovens músicos suíços inspirada na série “Éthiopiques”, que revelou ao público ocidental a riqueza da música popular etíope feita nos anos 1960 e 1970. Raphaël Anker, trompetista de Genebra, foi o mentor do projeto, acompanhado por um conjunto de instrumentistas vindos do free jazz, do prog rock, da soul e do funk. A orquestra recria o repertório da era dourada da música etíope, mas igualmente das ricas décadas de 1980 e 1990. Em Sines, a orquestra, uma estrutura exuberante com músicos, bailarinos e instrumentos etíopes e ocidentais, tem a participação da cantora Hamelmal Abaté, uma das maiores estrelas da música etíope, com oito discos gravados e uma carreira feita no seu país e nos EUA. O disco “Mercato”, gravado pela orquestra em 2011, é a base do repertório.

Kouyaté-Neerman

27 DE JULHO: KOUYATÉ-NEERMAN (França / Mali)

O projeto Kouyaté-Neerman cria música nova nas fronteiras entre o jazz, o rock alternativo e a música tradicional. No balafon oeste-africano temos Lansiné Kouyaté, griot maliano residente em Paris. No vibrafone temos David Neerman, francês com formação clássica em piano e percussões. Juntos há oito anos, procuraram deste o início desenvolver uma estética em que, mais do que procurar raízes comuns, a prioridade é inventar novos territórios. Depois da estreia em disco com “Kangaba” (2008), acabam de lançar “Skyscrapers & Deities”, um álbum em que as suas culturas principais são estruturantes, mas onde há influências de rock, música de cinema, dub e música etíope. A secção rítmica é constituída por Antoine Simoni (baixo) e David Aknin (bateria).

Foto: Denis Rouvre

27 DE JULHO: ZITA SWOON GROUP (Bélgica / Burkina Faso)

Zita Swoon GroupO projeto mais recente do Zita Swoon Group junta o músico belga Stef Kamil Carlens (ex-dEUS) aos griots Awa Démé (cantora) e Mamadou Diabaté Kibié (balafon), oriundos do Burkina Faso. Depois de um período de permanência e trabalho conjunto naquele país africano, o encontro resultou na gravação do disco “Wait for Me”, com edição Crammed, um dos discos de 2012 na área do cruzamento de culturas. As canções, com a simplicidade estrutural de canções pop, tratam de aspetos da experiência da vida em África e são cantadas pela voz de Awa, na língua mandinga Dioula, e em inglês, pela voz de Stef, que traduz, comenta e acrescenta. A paleta instrumental oferece cores de África e de blues colhidas em guitarras, balafon, harmónica, banjo, órgão, bateria e outras percussões.

28 DE JULHO: TONY ALLEN’S “BLACK SERIES” FEAT. AMP FIDDLER (Nigéria / EUA)

Tony Allen“Black Series” é um projeto entre duas cidades: Detroit (EUA), um dos centros essenciais da soul e da música negra em geral, e Lagos (Nigéria), berço do Afrobeat. O seu mentor é um dos génios rítmicos da música mundial, o baterista nigeriano Tony Allen, braço funk de Fela Kuti durante a revolução Afrobeat e, na sua carreira a solo, um exemplo de longevidade na criatividade. O representante de Detroit é Amp Fiddler, teclista e cantor cujo talento já ajudou a brilhar gente tão importante quanto Prince, Maxwell e George Clinton, este último nas teclas dos Parliament-Funkadelic durante uma década. No palco de Sines serão acompanhados por Andre Foxxe (guitarrista de Funkadelic / George Clinton), pelo baixista Cesar Anot, pelo guitarrista Oghene Kologbo e pela voz de Audrey Gbaguidi.

Foto: Mokhtar Gordon / Shot at Banlieues Bleues