Conceitos de “world music” e identidades nacionais discutidos nas paralelas do FMM 2012

Em 2012, o FMM Sines volta a apresentar um programa de iniciativas paralelas, com artes, letras, ateliês e debates que enriquecem a componente musical do festival. As duas primeiras iniciativas que anunciamos são discussões em torno dos conceitos de “world music” e de identidade nacional.

A CRIAÇÃO DE NOVOS PAÍSES E A IDEIA DE IDENTIDADE NACIONAL: CONVERSA COM RUI TAVARES (EURODEPUTADO) E PEDRO MATOS (NAÇÕES UNIDAS)
Centro de Artes de Sines – Auditório | 21 de julho | 17h00 | Entrada livre | Org. CMSines

Identidades nacionais

No último ano, dois novos países declararam independência. O Sudão do Sul e os tuaregues de Azawad, que durante décadas lutaram pelo reconhecimento da sua cultura, têm finalmente a oportunidade de definir aquilo que essa cultura significa. Quase de imediato, os dois novos países entraram em conflitos internos, o que sugere que as identidades nacionais são frequentemente moldadas pela imposição das ideias de país de uma das culturas sobre as restantes. Esta é uma conversa sobre aquilo que define um povo, se a homogeneidade cultural ou étnica é uma base saudável para um país, e o que é que isso sugere sobre a forma como os novos países irão coexistir com as suas próprias minorias.

ATELIÊ “I HATE WORLD MUSIC!”
Centro de Artes – Auditório | 24 e 25 de julho | Entrada livre | Org. CMSines / Unipop

Yat-khaNas últimas décadas, a expressão world music / música do mundo tornou-se objeto frequente de referência por parte de editoras, músicos, jornalistas, vendedores, investigadores, públicos, produtores, etc. Veio assim juntar-se a outras expressões usadas para classificar uma dada música. Esta prática de classificação de um género é fruto da vontade de descrever determinada realidade musical, caracterizando-o por identificação ou diferenciação em relação a outras realidades musicais, mas toda a descrição igualmente participa da realidade que procura descrever. A um determinado músico, em razão da música por ele produzida, são aplicados determinados adjetivos – popular, eletrónico, tradicional, português, pop, francófono, africano, jazz, folk, etc. -, mas estes adjetivos igualmente contribuem para transformações substanciais na própria música produzida. Estabelece-se assim uma relação de influência mútua entre a música tocada e a música classificada. No caso da world music, acresce a circunstância de não se tratar da designação de um género, mas de procurar categorizar sob um único rótulo toda a música que não seja imediatamente enquadrável numa das restantes classificações ou que tenha origem no exterior das fronteiras das indústrias musicais ocidentais. Este ateliê tem por objetivo debater as práticas de classificação da música. Interessa-nos, por exemplo, problematizar a formação de critérios de género/estilo musical (música rock, música pop, música ligeira, música clássica, etc.) e de identificação geocultural (música brasileira, música africana, música alentejana, etc.).

24 de julho (terça)
17h30 – Abertura, pela Unipop
18h30 – Mesa-redonda, com Manuel Deniz Silva (musicólogo), JP Simões (músico), Raquel Bulha (jornalista e apresentadora do programa «Planeta 3», da Antena 3) e Afonso Cortez (investigador e editor da coletânea Portuguese Nuggets)

25 de julho (quarta)
17h30 – Assembleia/seminário de discussão do texto «Transpor as fronteiras da música: I hate world music», de David Byrne.

Foto: Yat-kha, FMM 2002 (c) António Melão / CMSines