Dados básicos

O que é o FMM – Festival Músicas do Mundo, onde e quando se realiza?

É um festival de música realizado no concelho de Sines, Alentejo Litoral, Portugal, todos os meses de julho. Uma organização da Câmara Municipal de Sines, o FMM é um festival não comercial povoado por espetadores-descobridores. Os principais princípios da sua identidade são a qualidade e diversidade do programa apresentado, o charme dos espaços onde se realiza, o espírito único que, com o seu público, foi conquistando ao longo dos anos, e o facto de ser encarado, em primeiro lugar, como um serviço público cultural.

Quando nasceu e o que motivou a sua criação?

O FMM foi criado em 1999 com o objetivo de valorizar o Castelo de Sines, lar (e berço provável) de Vasco da Gama, através de um acontecimento que mostrasse a diversidade das expressões musicais do mundo, evocando a revolução nos contactos interculturais a que as viagens do navegador abriram caminho. Hoje, o festival ultrapassa fisicamente as fronteiras do Castelo e o seu programa transcende os limites de qualquer legitimação histórica. Dar a descobrir é a sua filosofia.

Que música se ouve no FMM?

Um festival cuja única “playlist” é o Atlas Universal, o FMM foi criado com a convicção de que a música é muito maior, muito mais cheia de cores e matizes do que a indústria do “mainstream” faz supor. Com todas as ambiguidades do termo, o FMM pode ser enquadrado na área da “world music”. Da tradição ao jazz, da folk aos blues, do tango ao reggae, da clássica à fusão, é sobretudo um festival de música sem fronteiras de género.

As músicas do mundo são músicas de nichos ou de elites?

Não. Definitivamente. Há música mais quente que a de uma fanfarra balcânica? Há ritmos mais fulgurantes que os da África Negra? Há “trance music” mais intensa que a árabe ou a indiana? Há vozes mais poderosas que as do “gospel” ou dos corais do Mediterrâneo? No FMM cabem todos os registos, do intimista à “jam” coroada de fogo de artifício, mas a
música escolhida, mesmo quando é exigente, nunca é música fechada.

Qual é o público-alvo?

Todas as pessoas que se sintam abertas a descobrir novas músicas. O FMM não tem destinatários preferenciais a não ser ouvintes com capacidade de se surpreender, sejam eles um velho pescador, um jovem estudante universitário ou um melómano experimentado. É uma multidão unida pela receptividade à diferença e à experimentação, mas também por uma postura naturalmente distendida, uma boa onda que transfigura Sines nos dias em que o festival decorre.

Onde decorrem os concertos e restante programa?

Depois do seu programa, a espetacularidade dos espaços onde se realiza é a principal característica que define o FMM. Em 2011, os eventos decorreram nos três palcos situados no coração da cidade de Sines: o Castelo (lotação: 7000), a Av. Vasco da Gama (15000) e o Centro de Artes de Sines (200 no Auditório). O Castelo medieval, berço de Vasco da Gama, é um espaço de concertos ao ar livre com um charme único. Quem já esteve no Castelo lotado, com 7000 vozes levantando-se em uníssono, percebe por que é um privilégio conseguir um bilhete para os concertos noturnos do FMM. No palco da avenida marginal à Praia Vasco da Gama, a magia da música mistura-se com o encanto particular de uma praia urbana, em concertos ao fim da tarde e de madrugada. O Centro de Artes de Sines, de arquitetura arrojada, é dedicado às iniciativas paralelas e aos concertos em auditório. Nota: Em 2010 e 2011, o palco de Porto Covo, que recebeu concertos entre 2005 e 2009, não fez parte da programação do FMM.

Quantas pessoas já assistiram ao festival?

Desde 1999, já estiveram no FMM cerca de 580 mil pessoas.

Qual é o historial de concertos realizados no FMM até hoje?

Entre 1999 e 2011, realizaram-se 262 concertos, muitos deles em estreia nacional e, por vezes, europeia. 2008, ano de comemoração do 10.º aniversário do evento, foi, até agora, a edição mais repleta de música, com 40 espectáulos. Taraf de Haidouks, Black Uhuru feat. Sly & Robbie, Hedningarna, Kronos Quartet, The Skatalites, Tom Zé, Femi Kuti, Hermeto Pascoal, Marc Ribot, KTU, Master Musicians of Jajouka, Trilok Gurtu, Toumani Diabaté, Rabih Abou-Khalil, Mahmoud Ahmed, Gogol Bordello, Rokia Traoré, Asha Bhosle, Orchestra Baobab, Debashish Bhattacharya, Cyro Baptista, Lee ‘Scratch’ Perry, Tinariwen, Staff Benda Bilili, Cheikh Lô, Congotronics vs. Rockers, Ebo Taylor e Vishwa Mohan Bhatt são alguns dos artistas que já passaram pelo FMM.

Qual tem sido o acolhimento do FMM junto da crítica?

O FMM consolidou-se, ao longo da última década, como um dos eventos com melhor receção junto da crítica especializada, da blogosfera e dos próprios artistas participantes. Publicações como o Libération, o L’Humanité ou a revista Songlines têm destacado a qualidade da sua programação, inúmeros artistas participantes consideram-no um dos melhores festivais da Europa e toda a imprensa portuguesa tem dado relevo à sua excelência e peculiaridade como evento cultural.

Fotos (c) Mário Pires